Tornados nos Estados Unidos, massacre na Síria, crise na Grécia, eleições de fachada no Irã, o mundo continua produzindo desastres diariamente. O Brasil segue, aparentemente, alheio a essas tragédias naturais e sociais, mas temos um mal particular, uma tragédia só nossa que escreveu mais um capítulo vergonhoso: a política Brasileira. Nos últimos dias novos eventos ganharam atenção no nosso mundo político, bizarrices como só o Brasil poderia produzir. A apoteose do improvável começa com as eleições no Rio, antigos e ferrenhos adversários se uniram para levar seus filhos ao poder. O filho de Cesar Maia irá entrar na disputa à prefeitura tendo a filha de Garotinho como vice.
Garotinho
é o tipo de político mestre em usar uma postura popular e
reacionária para agradar o povo. Vive com a Bíblia debaixo dos braços e joga para debaixo do tapete os escândalos de corrupção em que se envolveu e a participação
na chefia de um esquema corrupto da polícia do Rio, que dava cobertura a
Máfia dos Caça-Níqueis. Garotinho foi condenado por FORMAÇÃO DE
QUADRILHA - e não era de Festa Junina - a 2,5 anos de prisão em 2010,
mas a pena foi convertida em serviços à comunidade. Em uma entrevista recente comparou o governador do Rio a vilã da novela das 9 da Globo, Tereza Cristina e o prefeito a seu puxa-saco particular, Clodoaldo Valério. Estaria ele tentando criar uma antipatia pública da atual gestão vinculando sua imagens a vilões da TV? Indiferente a isso, essa atitude de Cesar Maia em se unir a Garotinho só demonstra que o improvável em política não existe quando o objetivo é chegar ao poder.
Em São Paulo, chama a atenção os possíveis candidatos, o ex-Ministro da Educação Fernando Haddad, vai ser candidato pelo PT, tirando o fato de ter machando anos de prestígio do ENEM através de sucessivos erros de ingerência, eu simpatizo com o Haddad, embora tenha minhas dúvidas sobre sua boa atuação como prefeito de São Paulo. O fato mais alarmante de sua pré-indicação é o movimento que o Planalto está fazendo para garantir apoio a seu candidato, a estapafúrdia indicação do bispo da Universal do Reino de Deus - aquela mesma que está na mira do Ministério Público - e senador Marcelo Crivella para o Ministério da Pesca. O que choca além do novo Ministro não ter afinidade nenhuma com o Ministério, é o fato da indicação ser descaradamente voltada a interesses políticos e não ao desempenho de um bom trabalho. Crivella é do PRB e sua indicação aproxima o partido do governo Dilma, visando garantir apoio a candidatura de Haddad, e pode influenciar o PRB a não lançar candidato próprio em São Paulo, que possivelmente seria Celso Russomano, hoje o segundo colocado nas pesquisas de intenções de volto. Além de tirar o incômodo Russumano do caminho, essa indicação de Crivella vai aproximar o governo - e o Haddad - dos evangêlicos que fizeram um burburinho enorme pra derrubar o programa contra homofobia nas escolas, que foi descaracterizado pela bancada evangêlica e pela mídia como o "kit gay", todos devem lembrar que Haddad foi o ministro que apresentou o projeto. No fim, essa indicação ao Ministério da Pesca pode render um cardume de votos evangélicos para a candidatura de Haddad.
Um possível concorrente de Fernando Haddad, é José Serra, que lançou-se como pré-candidato, agora depende da decisão do seu partido. Com Serra no páreo a eleição pode tomar caminhos perigosos, quem não lembra da eleição presidencial de 2010 onde o obscurantismo e a desinformação reinaram? Na campanha Serra vestiu-se totalmente de conservador, com uma postura reacionária e com direito a oração na propaganda partidária, divulgação de informações caluniosas e aliança com líderes evangêlicos - que se pudessem instituiriam a teocracia no país - numa das maiores e piores demonstrações do espírito reacionário e manipulador da direita brasileira.
Se esse modelo vergonhoso de campanha, onde não se discutem programas de governos, mais criam-se figuras fantasiosas de representantes do bem e do mal vigorar na disputa em São Paulo, há o risco de intensificarem os ataques de intolerância que já vemos acontecer diariamente nas ruas da maior cidade do Brasil.
O terceiro personagem destaque dessa disputa é o Deputado Federal Tiririca, seu partido estuda lançar como candidato. Não bastasse o fato de ter sido eleito deputado, com acusações de não saber escrever e com um estampado despreparo, agora pessoas totalmente mal intencionadas querem indicar o Tiririca para a Prefeitura de São Paulo e não duvido que confirmada a candidatura ele tenha uma vontação expressiva. Claro que essa indicação é um jogo político, para garantir poder e influência ao partido, no caso o PR. Mas mesmo assim, é vergonhoso e absurdo que coloquem alguém totalmente despreparado, no ambiente político e acadêmico, para concorrer a gestão de uma metrópole como São Paulo, com complexos problemas a serem resolvidos.
A leviandade da política brasileira nos leva a esse patamar, onde talvez tenha-se que escolher entre os conchavos de Dilma e Haddad, o circo dos horreres de Serra e a palhaçada institucionalizada de Tiririca. Parafraseando os personagens do Chapolim, de Bolaños: E agora quem poderá nos defender?
Se esse modelo vergonhoso de campanha, onde não se discutem programas de governos, mais criam-se figuras fantasiosas de representantes do bem e do mal vigorar na disputa em São Paulo, há o risco de intensificarem os ataques de intolerância que já vemos acontecer diariamente nas ruas da maior cidade do Brasil.
O terceiro personagem destaque dessa disputa é o Deputado Federal Tiririca, seu partido estuda lançar como candidato. Não bastasse o fato de ter sido eleito deputado, com acusações de não saber escrever e com um estampado despreparo, agora pessoas totalmente mal intencionadas querem indicar o Tiririca para a Prefeitura de São Paulo e não duvido que confirmada a candidatura ele tenha uma vontação expressiva. Claro que essa indicação é um jogo político, para garantir poder e influência ao partido, no caso o PR. Mas mesmo assim, é vergonhoso e absurdo que coloquem alguém totalmente despreparado, no ambiente político e acadêmico, para concorrer a gestão de uma metrópole como São Paulo, com complexos problemas a serem resolvidos.
A leviandade da política brasileira nos leva a esse patamar, onde talvez tenha-se que escolher entre os conchavos de Dilma e Haddad, o circo dos horreres de Serra e a palhaçada institucionalizada de Tiririca. Parafraseando os personagens do Chapolim, de Bolaños: E agora quem poderá nos defender?
03/03/2012
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sensações |



