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Eu tenho estado afastado do blog, mas uma coisa me fez escrever novamente. Um sentimento de angústia tem me tomado nos últimos dias. Um receio pela vida! Tenho visto uma infinidades de notícias de mortes no trânsito, por violência gratuíta e doméstica, por desamor e desapego a humanidade que devia ser tão intrísica a cada um de nós. Me assusta e me desanima esse irrelevância da vida do outro, me assusta que cada morte seja só mais um número numa estatística de como estamos mais perto da barbárie a cada dia, como estamos a caminho de não ter sangue, mas veneno correndo nas veias. Será que nascemos para ser o veneno do outro? Se há muito se pergunta qual o sentido da vida, eu pergunto:  Foi para isso que saímos de cima das árvores há algumas centenas de milhares de anos? Qual o sentido de cada morte evitavel que vemos diariamente? Quanto perdemos como sociedade com o fim de pessoas cujo potencial nunca será conhecido? Quanto perdemos como pessoas por só temer e sofrer pelos nossos? É preciso falar, reagir, cobrar. Quantos mais terão de fechar os olhos para que abramos os nossos?
Enquanto isso a mídia segue transformado sentimentos e sensações em mercadorias, num jogo onde amor, felicidade, força, paz e companheirismo têm seu preço. As pessoas parecem ter comprado bem a idéia e assossiam o ser e o ter ao consumo. Estamos cada vez mais bonitos por fora e estragados por dentro.  Sentimentos delivery não duram muito. O mundo vive uma crise financeira, quando o dinheiro acabar, o que seremos afinal? "Meias palavras não bastam, é preciso acordar" diz uma canção que eu ouvi uma vez. Morfeu nos embebedou de uma maneira tão forte que não conseguimos reagir? Eu espero que se reconheça o valor da vida e o valor do outro. Espero que justiça não seja só um conceito jurídico abstrato, mas uma prática da sociedade que respeita seus integrantes. Que anceia para que o perigo não siga a espreitar cada ser humano, através das atitudes vis de outros. Eu lhes peço não morram, vocês são importantes para o mundo, além do mais chega a ser irônico, mas em um tempo em que as vidas valem tão pouco, morrer custa muito caro.
15/11/2011 | 5 sensações |

5 sensações:

  1. Paulo Vitor Cruz
    16 de novembro de 2011 18:24

    antes de ler coloquei aqui o Canto Para Minha Morte, um tango de Raul Seixas tudo fez sentido e depois nada mais fez sentido..

    *feliz meio de semana ae...

    abraço grande.

  1. Maria Midlej
    17 de novembro de 2011 15:19

    É, eu ando pensando nisso também. Me deu um nó.
    Bom texto.
    Boa vida a tu, beijão

  1. Bi M.
    17 de novembro de 2011 19:20

    "Eu lhes peço não morram, vocês são importantes para o mundo, além do mais chega a ser irônico, mas em um tempo em que as vidas valem tão pouco, morrer custa muito caro."


    Essa parte me arrepiou. Lindo!

  1. Charlie Bravo'
    24 de novembro de 2011 02:22

    Morrer, dói? Atrevo-me a dizer que sim, que sim, dói, dói como aquela saudade muda que sufoca e que naufraga as almas lentamente, que consome toda a pele em fogo azul.

    Abraço, Charlie.

  1. Anna Oliveira
    29 de novembro de 2011 18:39

    "Estamos cada vez mais bonitos por fora e estragados por dentro." Concordo, hoje tudo é tão superficial..
    Gostei do texto. Parabéns, ^^

    Se puder, passa lá no meu blog:
    http://www.salvandoosperdidos.blogspot.com/
    Obrigada. Deus abençõe, ;)

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