Saudade
é um desafio para o coração, que a Naty me passa agora para desafiar à cabeça.
Sabe aquela palavra que já soa densa e um pouco triste? Pois está é a saudade. Saudade
nem existe em algumas línguas, justamente porque sempre conseguiremos senti-la
melhor do que descrevê-la em nosso vocabulário. Talvez, por isso, seja mais fácil descrever
situações-saudade do que o sentimento saudade. Saudade, para mim, pode ser a
sensação trazida por uma conversa intimista com três amigos, em uma ilha
próxima ao Recife, com estrelas cadentes pintando o céu com suas luzes, onde o
único objetivo era compartilhar o que se é. Saudade é não compartilhar para
sempre.
Como
também é a distância do cheiro, do toque, da pele de quem se ama. Saudade é o
sinal de que algo em nossa alma não está como deveria, logo saudade é a febre
do amor. Essa é sua maior expressão, sua
maior sensação e sua forma de menor entendimento, é onde nos perdemos na
lembrança. A recordação é o nosso antídoto contra a saudade, pois é nela que
conseguimos diminuir a carga de tristeza e dúvidas do estar longe. Saudade é o
espaço entre dois corpos que buscam ser um só.
Saudade
é uma das poucas palavras que conforta e dói. Saudade é a certeza que valeu a
pena, não importa o que tenha sido: valeu amar, valeu conhecer, valeu provar,
valeu ter, valeu viver. Sinceramente eu não gostaria de morrer sem ter sentido
saudades de nada. Seria como se minha vida tivesse passado em branco, uma folha
limpa ou uma cheia de rascunhos que não vale a pena lembrar. Ninguém quer viver
de rascunhos, mas já que nada é para sempre, que possamos pelo menos viver de saudade e de cada momento em que ela vai deixar sua marca.


13 de janeiro de 2012 15:04
Saudade é a certeza do que foi vivido, do que sentimos, do que foi bom, muito bom. Tenho tantas saudades, inumeras, você me fez lembrar das que mais me doem.